Uma crônica do amor inabalável: “abença, mãe!”

Por Roberto Maciel, jornalista:

Nunca fomos, eu e meus irmãos, de pedir bênçãos à nossa mãe e ao nosso pai. Eles eram católicos daqueles bem praticantes, de ir à missa sempre aos domingos, que têm a resposta aguda, afiada e certeira na ponta da língua: “Deus te abençoe”. Sim, Benedita e Fernando tinham a convicção e a fé de que abençoar filhos e afilhados era tarefa divina, e que, por isso, não estava na alçada deles.

Mas hoje, 25 anos após minha mãe seguir caminho, sinto-me com uma vontade imensa de pedir que ela nos abençoe, que abençoe à minha esposa, Fernanda, aos nossos filhos, Pedro e Marina, à nossa nora, Hellen, e, sobre todos e sobretudo, a nossa neta Cecília.

Como o amor é uma graça crônica, da qual a gente precisa e não deve abrir mão de conviver, é essa a referência que tenho.

Foi pensando no amor contagioso, transbordante, sincero e luminoso que as mães têm que me animei a escrever o que agora você lê. Lembrei dos 6×1 ultrapassados e indesculpáveis impostos às famílias por jornadas de trabalho medievais e extenuantes – que, no universo materno, são substituídos por um 7×0 de fazer inveja à Seleção alemã de futebol. E da violência contra mulheres, das agressões e da exclusão ao feminicídio. Da exploração da sensualidade, dos assédios moral, comercial, virtual, patrimonial e sexual. E da angústia por dias melhores, pelo desejo da educação, do lar e da saúde. Recordei, ainda, a violência política, a manipulação religiosa e a chantagem social, o crime, as ameaças a filhos e familiares.

Lembrei, enfim, do quanto é importante organizar todas e todos contra o fascismo, a sombra maligna que paira sobre ignorantes e até esclarecidos, que se manifesta brutalmente em redes sociais até nas palavras de idiotas que chamam a si de “red pills”. Lembrei de que temos obrigações e responsabilidades e que mudar para qualificar as pessoas é o desafio maior que se deve ter coletivamente. Sem essa vontade para a luta e pela igualdade não há nem porque sonhar.

Daí, peço, sempre, embora desobediente: “Bença, mãe!”

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