Chamava-se Luiz Phillipi Machado de Moares Mourão, vulgo “Sicário”, o capanga de Daniel Vorcaro encarregado de operações violentas contra quem se opusesse ao dono do banco Master. Monitorava comunicações de polícias estaduais e Federal que apontassem para o patrão, o cupincha. Era perigossímo e tinha status de peça importantíssima na estrutura delinquente do ex-banqueiro.
Preso em 4 de março, junto com Vorcaro, Sicário se suicidou numa cela da Polícia Federal em Belo Horizonte (MG). Morte estranha, aquela, numa instalação em tese tão segura quanto inexpugnável. Tão estranha quanto a morte do miliciano e ex-PM carioca Adriano da Nóbrega, em 2020, numa troca de tiros com policiais baianos.
Ambos, acredita-se, tinham informações delicadas sobre os chefes e sobre os crimes que testemunharam ou que receberam ordens para cometer. Foram vítimas de queima de arquivo?
Dado relevante: antes de morrer, Luiz Phillipi recomendou a familiares que procurassem o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, também engajado na “tropa” do filho, em busca de amparo financeiro e/ou legal.
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Sabe quem está presente nos dois casos? Flávio Bolsonaro. Será só mera coincidência? Quando deputado estadual, mesmo sabendo que Adriano da Nóbrega era um criminoso caçado pela Polícia, Flávio o condecorou com a Medalha Tiradentes, comenda das mais valorosas do Legislativo fluminense. Flávio e o pai, o então deputado federal Jair Bolsonaro, foram à cadeia entregar a medalha ao bandido Adriano.
Agora, como senador, Flávio é flagrado pedindo dinheiro ao chefe do Sicário.
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É importante que se investigue, considerando os fatos relacionados ao flagrante achaque de Daniel Vorcaro por Flávio, as circunstâncias das duas mortes.
Adriano e Sicário devem ter, mesmo defuntos, muito a contar.


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