Por Roberto Maciel, editor do portal InvestNE:
Não são apenas 15 dias que separam Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) do segundo turno das eleições presidenciais. Há, já na próxima, terça-feira, um elemento importantíssimo para determinar previsões, projeções e demais gêneros de futurologia ou elaboração de expectativas. É o começo, no Senado, das análises do fim do regime 6×1 nas jornadas de trabalho.
A extinção da 6×1, considerada um modo excessivo e extenuante de relação laboral, que afasta o trabalhador da família, do lazer e até da qualificação profissional ou de estudos regulares, é uma das principais bandeiras eleitorais do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva. É também é um norte de discussões em famílias, rodas de amigos e conversas em escritórios, lojas e fábricas.
Flávio Bolsonaro é contra. Diz que o empregado que escolha se quer trabalhar cinco dias e folgar dois ou se prefere trabalhar sete dias e não folgar de jeito nenhum. Que se negocie. Pra quê lei?
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou na última sexta-feira (2.10) que colocará a matéria da extinção da 6×1 na pauta de terça.

Além do interesse eleitoral de Lula, que é legítimo, diga-se, há o interesse de Davi Alcolumbre de se manter na próxima gestão no posto em que se encontra. É também legítimo. Nem precisa dizer que a presidência do Senado é um dos mais influentes cargos da República, uma espécie de joia do poder.
Alcolumbre estará escolhendo um lado de maneira decisiva. Não será refém de Lula nem fará de Lula um refém.
O que está fazendo é um movimento que vai além da manutenção de uma posição, chegando à sobrevivência política. E é também um lance que tem enorme apelo popular e expressão imensa de responsabilidades política e social.
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No séquito que rodeia Flávio Bolsonaro há um nome que ameaça o presidente atual: Rogério Marinho (PL-RN), senador que coordena a campanha do filho de Jair Bolsonaro, que já entrou com vontade e apetite na corrida pelo comando do Senado.
Se vencer a eleição no segundo turno, Flávio se empenhará fortemente para ter Rogério Marinho como chefe da casa parlamentar a partir de 2027. Vai, assim, cortar cabeças. Se vencer, Lula tenderá a contemplar Davi Alcolumbre com apoio e influência. Vai, assim, premiar parcerias.
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Não esqueçamos, então: além de 15 dias há uma jornada de trabalho no meio do caminho.
Simples assim.


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