A Coluna do Roberto Maciel (quinta, 14.5): Quando a mentira não é só método, mas profissão de fé, declaração de caráter e razão de viver

  • Chamou atenção o fato de o deputado cearense André Fernandes (PL), extremista de direita com pouco, ou nada de, conteúdo mas muito de exposição pública, ter sido flagrado jogando lixo em frente à Prefeitura de Fortaleza. A ideia era dizer num vídeo que a cidade está suja. As imagens foram gravadas pela equipe bolsonarista, mas nunca exibidas porque André, o “virtuoso” evangélico, filho de pastor, foi apanhado cometendo o delito, mentindo descaradamente. Também despertou curiosidade o prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos, partido também de direita radical) denunciado por forjar um buraco na rua para fingir estar trabalhando. Outro (mal) exemplo é o do influenciador bolsominion Luan Lemos, do Rio de Janeiro, que já se lançou pré-candidato a deputado e que foi surpreendido pela polícia inventando um furto para se colocar nas redes. O que eles praticam não é só uma deformação moral, um aleijão de costumes – é, sim, a razão de viver que têm e única estaca na qual se sustentam. Querem, sem argumento nem apego à verdade, disputar cargos eletivos. O golpe é esse, com a mentira como método e como meio de vida. Cai quem quer.

Cheirando muito
Sobre André Fernandes, piora a imagem pública dele com vídeo no qual aparece cheirando e beijando um frasco de detergente Ypê. Foi em produtos da marca que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária achou a letal bactéria pseudomona aeruginosa. Órgãos técnicos atribuem ao micro-organismo 500 mil mortes anuais em todo o mundo.

Descambo
Em socorro à empresa, gente cuja irresponsabilidade descamba para o lado do crime tem dito que a marca é vítima de uma trama “comunista” porque apoiou Jair Bolsonaro em 2022. Sabe-se que a Ypê cometeu seguidas ilegalidades a favor do hoje presidiário, como doações fraudulentas e assédio político a funcionários – inclusive ameaçando demitir quem não votasse no candidato extremista.

Faz é tempo
Mas sabe-se também que a Ypê despreza uma série de regras de produção segura dos itens que põe no mercado, sendo monitorada pela Anvisa desde 2028. E sabe-se, por fim, que a lei é rigorosa com quem ameaça a saúde pública e a vida.

Micareta bolsonarista
E em meio à gravíssima crise sanitária, acentuada pelo apoio de nomes como Michelle Bolsonaro e o senador mineiro “Cleitinho” à Ypê, bolsonaristas do Ceará farão evento sábado. O centro é o ex-presidenciável Ciro Gomes (PSDB), que deve ser lançado pré-candidato a governador do Estado.

Lavou, tá novo?


Ciro tem feito esforços para se descolar das manchas que o bolsonarismo impõe, como o escândalo do banco Master, o golpe de 8 de janeiro de 2023 e as 700 mil mortes causadas pela covid. Talvez se lavar com Ypê, quem sabe?

Acredite se quiser
Curiosidades: o lançamento da pré-convenção direitista será num colégio que tem o nome do bancário, advogado, ex-prefeito e ex-deputado Evandro Ayres de Moura. Ciro é graduado em Direito, como Evandro foi; ambos também foram prefeitos e deputados federais. O estabelecimento fica no Conjunto Ceará, bairro que teria tido importância capital na eleição de Ciro Gomes à Prefeitura, em 1988. Evandro é também o nome do petista que hoje comanda a capital cearense.

Correção
Diferentemente do que a Coluna publicou, não foi o município de Caucaia o pioneiro na gratuidade de transporte público no Estado. Foi, sim, o de Eusébio. Lá, a tarifa foi eliminada em 2009. Na verdade, a experiência em Eusébio serviu de referência para Caucaia.

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