- Muito tem movimentado de especulações a análises o comportamento do ex-ministro, ex-deputado, ex-governador e ex-prefeito de Fortaleza Ciro Gomes, a quem se pode também definir como “ex-líder” da família Ferreira Gomes. Por mais que se tente avaliar e explicar a adesão de Ciro à direita mais rancorosa, aquela que se assume fascista e não tem pudor nenhum, é natural que se perceba que não há aí uma guinada radical, uma mudança significativa de rumo. Ele nunca deixou de ter esse perfil e nunca fez questão de se dizer progressista ou engajado em causas sociais. Nem como estudante de Direito da UFC nem como candidato a presidente da República. A trajetória é uma: Ciro é o Ciro que sempre foi – mesmo que possa gerar um certo frisson quando se refere aos “bolsonaristas” que seriam dele. Embora não cite nomes, é possível afirmar que políticos como André e Alcides Fernandes, Capitão Wagner e Inspetor Alberto estejam nesse alegórico carro dirigido pelo tucano-tassista. É com essas credenciais, para muitos festivas, para outros decepcionantes e para poucos espantosas, que ele tenta se firmar no cenário eleitoral de 2026. Não é uma pena que aja desse modo – é, diferentemente disso, uma rica e rara demonstração de sinceridade ideológica. Seja lá o que isso signifique para ele.
Quem cala consente
A situação da Ciro é tão clara e constrangedora, pode-se supor, que nem consideração pública ele fez (ainda, diga-se) sobre o tarifaço imposto ao Brasil, novamente por articulação da facção familiar dos bolsonaros, pelo governo de Donald Trump. O assédio tributário afeta toda a economia nacional e beneficia megacorporações dos Estados Unidos.
Não ria!
E não se perca a oportunidade: o livro que Ciro Gomes publicou em co-autoria com o professor Roberto Mangabeira Unger tem o sugestivo título de “O Próximo Passo: Uma Alternativa Prática ao Neoliberalismo”.
Falar é reagir
Frase do ex-ministro José Dirceu: “Tarifaço não é grave só para a economia das empresas, da exportação, das commodities agrícolas. É um ataque à economia popular, às famílias, porque significa inflação, recessão, desemprego. Significa sanção contra um país sem nenhuma razão”.
André na rede
O deputado federal André Fernandes (PL) agrediu moralmente a colega Erika Hilton (PSol-SP), expondo-se a uma possível reação jurídica. Mas, antes de uma resposta de Erika, foi atalhado pela influenciadora cearense Cynthia Carvalho: “Você não deveria ser preconceituoso, menos ainda com as travestis. (…) Se eu fosse você ficava bem caladinho”. Inda vai?

Tod@s
A propósito, será no próximo dia 28 a Parada pela Diversidade Sexual do Ceará 2026, na Avenida Beira Mar. O evento se anuncia como o segundo maior do gênero no Brasil, superado só pela parada de São Paulo. E é no 28 de junho que se comemora o Orgulho LGBTQIA+. O tema dessa edição é “25 anos combinando de não morrer”.
Aí já é demais
O deputado Cláudio Pinho (PSDB) inventou a roda. E pôs nesta semana para tramitar na Assembleia projeto que cria o Sistema Estadual Integrado de Inteligência do Ceará, que conciliará ações de diferentes órgãos de segurança. Só um problema: o Sistema já existe. Foi proposto pelo Executivo em fevereiro de 2024, aprovado pela Alece e sancionado pelo governador no mesmo mês.

Do Velho Testamento
De todo modo, e para ser justo, note-se que em 2005 o então governador Lúcio Alcântara instituiu por decreto o Sistema Estadual de Inteligência de Segurança Pública e Defesa Social. A estrutura integrava planejamento e execução das atividades de inteligência do Estado. Tinha funções menos abrangentes e servia para subsidiar decisões do secretário do setor e do chefe do Executivo.


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