- Está marcado para amanhã o mais importante tête-à-tête da política atual: o confronto entre quem pede o fim da escala de trabalho 6×1 e os que querem a manutenção, ou até o enrijecimento, da jornada. O Senado vai, enfim, votar em plenário proposta que altera o modelo para cinco dias trabalhados e dois de folga. Os argumentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e demais apoiadores da modificação se ramificam em três caminhos, ao menos: 1. O empregado ganhará mais tempo para o lazer, a saúde e para dedicar à família; 2. O empregado poderá se empenhar em ações de qualificação, que possam ajudar na produtividade e no desempenho que tem; 3. O empregador e o mercado poderão oferecer mais oportunidades de trabalho, o que deverá repercutir positivamente na economia nacional. Outros países já empregam jornadas menos pesadas e têm sido exemplares nos ganhos sociais. Quem é contra, pasme!, tem aparecido falando em “flexibilização”, “negociação com patrão” e mesmo em extensão da jornada para até 16 horas diárias. Não é apenas uma questão política ou eleitoral, mas de civilidade.
As “circunstâncias” de Ciro
Ciro Gomes, quando falava a plateias – nunca diversas, sempre limitadas a personagens dos círculos (ou bolhas) por ele frequentados -, muitas vezes se revelou apreciador de frase do filósofo e político espanhol Ortega y Gasset (1883-1955): “Eu sou eu e minha circunstância, e se não a salvo a ela, não me salvo a mim”. Há quem a entenda como o necessário reconhecimento de uma condição humana, a de não viver isoladamente, de se relacionar com a realidade.
Contradição
Certamente sem dar atenção ao ensinamento, o qual indicava respeitar, o ex-candidato a governador do Ceará ingressou numa “circunstância” plenamente contraditória: diz que concordou que a assessoria jurídica que o serviu na campanha que perdeu apresentasse reclamação à Justiça. “Digo logo que não acredito nela neste país apodrecido – mas vale documentar que sigo lutando!”, anotou, referindo-se ao Poder Judiciário. Trata-se de uma triste, mais uma!, “circunstância”.
Quem é quem
Ciro anuncia que vai à Justiça contra a Justiça, na qual diz que não confia, mesmo sendo ele advogado (número 3.339 – OAB/CE) e, portanto, um operador do Direito e, claro, agente da Justiça. Parece estranho? É estranho. Ciro Gomes tem uma razão profissional mas não acredita nela. Mais: chama de “apodrecido” o país o qual já ambicionou ter o mando. Reconheça-se, mas não é para rir: está mais para Olavo de Carvalho, um pobre e coitado mistificador, do que para Ortega y Gasset.

Pocotó
Finalizou o derrotado Ciro: “Nosso estado foi transformado num quintal do PT e isto está destruindo nosso futuro. A república brasileira apodreceu com um STF com membros tais como estes que nos assaltaram”. Se alguém quiser saber do jantar dele com Daniel Vorcaro, no entanto, pode tirar o Dark Horse da chuva.
A grama do vizinho é mais verde
Algum marqueteiro precisa avisar urgentemente a Flávio Bolsonaro (PL) que pare de fazer propaganda de Lula (PT). Em peça de rádio e TV com que retomou a propaganda, o extremista citou Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida e Bolsa Família como referências da gestão que ambiciona ter. As três iniciativas têm um autógrafo inconfundível: Luiz Inácio Lula da Silva. Flávio não tem o que prometer?

Bênça, pai!
Pra piorar, alguém poderia lembrar ao Flávio que o pai dele, Jair, cuidou de desmontar todos esses programas quando era presidente da República. E fez isso tudo enquanto mais de 711 mil pessoas morriam de covid-19.
Bloco na rua

A Prefeitura de Fortaleza já está no ar com o edital para a construção de viaduto entre as avenidas Fernandes Távora e Augusto dos Anjos, na Parangaba. Uma dinheirama e tanto: R$ 51.848.927,67. Ou seja, “Não são os cinco mil milhões de francos/Que a Alemanha pediu a Jules Favre”, escreveu o nada angelical poeta Augusto.
Que dia é hoje?
Hoje é 13. Faltam 12 dias para o segundo turno das eleições presidenciais.


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