Por Roberto Maciel, jornalista, editor do portal InvestNE:
Conheci o Juquinha faz pouco tempo. Simpático, caladão, mas muito amistoso. Cara bacana, daqueles que não fazem a menor questão de cultivar mal-me-queres e que, só olhando para o lado bom das coisas, não quer briga com ninguém.
Juquinha é um cachorro caramelo, você o vê na foto acima. É um vira-latas daqueles que conquistam a gente de primeira. Fui eu quem o batizou desse jeito – há por aqui quem o chame de “Branquinho”, tomando a mesma liberdade que tomei. Suspeita-se que tenha sido abandonado na vizinhança do condomínio onde moro. Não faço ideia da idade dele. Está agora abrigado nos restos de um conjunto de quadras de tênis de praia. A empresa quebrou e os donos deixaram as ruínas lá, transformando-as em terreno baldio. Fizeram do imóvel o que foi feito do Juquinha: largado.
O cachorro ostenta um grande inchaço na pata dianteira esquerda, o que não o deixa correr – até os movimentos mais leves aparentam causar-lhe dor, muita dor. Venho alimentando-o diariamente, oferecendo também água a ele. Não é tanto, mas é o que eu – admirador que sou de um italiano excêntrico, filho dos bernadones de Assis – tenho ao meu alcance.
Acertei com o Francisco (o nome deve ser coincidência, só pode), zelador do prédio vizinho ao meu, que também se preocupa com Juquinha, de ele tentar aplicar um lenitivo no machucado. Entreguei o medicamento mas não tem dado muito certo: Juquinha se péla de medo, embora o produto seja mais refrescante do que dolorido. Ainda bem que o Francisco é teimoso e está sempre com o tubinho de spray buscando aliviar a pancada ou o que seja.
Tentei muito conseguir com órgãos públicos municipais de Fortaleza atenção à saúde do Juquinha, mas a coisa ficou tão difícil e burocratizada que desisti. Achei melhor tentar uma consulta no serviço veterinário de uma faculdade aqui perto, a Estácio. Espero que dê certo.
Juquinha não é um cachorro chato, está longe de ser ou de ter sido mimado. Além de dócil, é agradecido. É tudo natural dele. Sempre que me vê vem me saudar com alegria, com um sorrisão na cauda que desmonta qualquer mau humor.
Acho que ele está por aí, como tantos, dando lições verdadeiras sobre o quanto é necessário haver solidariedade, desapego, carinho e respeito.
O certo é que ele não debocha de doentes, não pede dinheiro a mafioso, não racha salários, não dá golpe, não ameaça mulheres, não agride crianças.. Juquinha é uma representação honesta de muito o que a gente deseja.
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Acho que Juquinha e outros passeiam entre nós para mostrar – com licença, poeta! – que neste país, mesmo com ódios ruminados, cartazes amarelos e gente bebendo detergente, mesmo com orelhas trucidados, é permitido sonhar.
Partirei em breve, espero, para tentar arranjar um lar cuidadoso pra ele.


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