Por Roberto Maciel, jornalista
Não se enganem com o titulo, leitoras e leitores: não é esse o meu comportamento diante de qualquer gesto que atente contra a dignidade humana, a vida e a harmonia social. Longe de mim. Refiro-me acima à forma repulsiva e oportunista que personalidades políticas como Ciro Gomes, Wagner Sousa, Carmelo Neto – ou “Carmelo Bolsonaro”, como com justeza reivindica ser chamado – e outros de expressão mais miúda se pronunciaram acerca do assassinato do policial militar Raphael Sampaio da Silva (foto acima), um soldado-quase-menino. Ele tinha apenas 27 anos de idade.
O corpo de Raphael foi encontrado numa região erma do bairro Ancuri, perto de onde Fortaleza faz limite com Itaitinga. Estava num carro em chamas – obviamente carbonizado.
Ciro, Wagner e Carmelo correram para as redes sociais. Trataram logo de acusar o governo do Ceará pela brutalidade. Disseram que foi a ineficiência da segurança pública no Estado a culpada pelo crime. Chamaram os agentes do setor, ainda que indiretamente, como fazem de forma repetida, de incompetentes. É um xingamento no qual insistem sem ter “coragem eleitoral” de cometê-lo sem papas na língua. Disseram que foi coisa das facções, as mesmas que chegaram ao Ceará em 1993, quando Ciro era governador.

Não era nada daquilo. Raphael havia sido, sim, vítima de crime passional. Foi o que se confirmou depois. O episódio tétrico e trágico teve a ver, como se comprovou, com um relacionamento perigoso e clandestino entre o rapaz e uma colega.
É claro que nenhum dos bolsonaristas vai se desculpar com os profissionais da segurança, com os gestores do Estado, a família do rapaz nem com eleitor nenhum – dane-se a verdade, dane-se a correção, danem-se a ética e a responsabilidade. Ciro, Wagner e Carmelo não estão incomodados com isso. “Feminicídio? Dane-se!”, repetiria sua excelência o deputado André Fernandes, se fosse o caso.
O erro e a falta de compromisso com a verdade deram, não resta dúvida, tração extra à campanha dos adversários desse ajuntamento. Mesmo brutalizado, o soldado Raphael não escapou de outra investida sanguinolenta e cruel de inimigos de intensa letalidade. Foi vítima duas vezes.
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Voltemos ao título, pois: a violência, a carnificina e a morte serão sempre saudadas com alegria, gozo e satisfação. Há um tipo de gente e de caráter que as aplaudem com frenesi. É essa a gente que faz festa.
Essas aberrações, do mesmo modo como os gestos oportunistas e irresponsáveis, servem aos mais baixos interesses.
É por isso que cabem tanto no esgoto amoral da politicagem.

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