Acusaram o Intercept de mentir. A resposta da juíza veio agora

Por Thalys Alcântara, repórter do The Intercept, na newsletter Fechamento:

Você já deve ter se deparado com algum anúncio na internet dizendo que o Intercept Brasil vive enterrado em uma enxurrada de processos. Parece exagero, mas a pressão é real.

Para fazer jornalismo investigativo independente no Brasil, contar com a retaguarda da nossa equipe jurídica não é um luxo: é uma questão de sobrevivência. Quando denunciamos os poderosos, a primeira reação deles é tentar nos calar por meio dos tribunais.

E é graças à esse apoio que celebramos uma vitória importante nessa semana: vencemos um processo movido pela deputada estadual Edna Macedo (Republicanos), irmã do bilionário bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal.

A deputada foi à Justiça Eleitoral tentar derrubar nossa reportagem sobre o áudio de 1h11 em que o cantor gospel Samuel Modesto negociava o uso de uma ONG como “laranja” para receber mais de R$ 2 milhões de emenda parlamentar indicada pela deputada.

O advogado de Edna alegou no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo que a nossa investigação era “propaganda eleitoral negativa”, mediante “fato inverídico”. Em bom português: tentaram nos carimbar de mentirosos.

O escrutínio jornalístico não pode ser restringido

De início, a deputada exigiu que a reportagem fosse tirada do ar imediatamente, mas o tribunal negou. Agora veio a decisão definitiva: a juíza Claudia Fonseca Fanucchi julgou o pedido improcedente.

A magistrada deixou registrado na sentença um recado fundamental para a democracia:

“A intervenção repressiva da Justiça Eleitoral não pode restringir o escrutínio jornalístico, em especial no momento em que a circulação de informações sobre agentes públicos se mostra relevante para formação da vontade do eleitor”.

Decisões como essas são verdadeiras fortalezas na defesa da liberdade de imprensa no Brasil.

Vale lembrar que, recentemente, outra reportagem nossa sobre uma assessora nutricionista da deputada Julia Zanatta ficou meses censurada por decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Nós recorremos, brigamos e a matéria voltou ao ar. Detalhe: a assessora acabou exonerada logo após a publicação.

Infelizmente, a intimidação por assédio judicial é uma prática muito comum e eficiente no Brasil. Poucos veículos têm coragem e a estrutura para comprar essa briga no Judiciário com figuras influentes.

Nós não recuamos. E é por isso que o apoio da nossa comunidade de leitores faz toda a diferença.

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