Completam-se na próxima segunda-feira (26.10), 80 anos de nascimento do poeta, cantor e multiartista cearense Antônio Carlos Belchior, um dos mais reverenciados compositores da música brasileira.
No artigo a seguir, o jornalista, pesquisador e escritor Alberto Perdigão (foto abaixo) avalia qual seria a posição política de Belchior, morto em 2017, na cena atual. Perdigão é autor do livro “Belchior: a construção de um mito na literatura de cordel”.

Confira:
Belchior, com certeza, votaria em Lula.
É o que se pode afirmar ao ouvir um poeta que não tinha filiação partidária, mas que foi político, no melhor sentido da palavra.
Foi consciência e prática, ao se alucinar com o dia a dia e ao delirar diante da realidade de seu tempo e lugar.
O poeta Belchior cantou as liberdades individuais, os direitos humanos e a democracia.
E tocou trombetas convocando a juventude a lutar contra o que era velho e autoritário.
Belchior, com certeza, faria campanha por Lula, juntando-se aos que militam na arte, na ciência, pela pluralidade de vozes e pela diversidade de opiniões.
Nas Diretas Já, em 1984, subiu ao palco, ao lado de Lula e de tantos que erguiam a redemocratização.
Nos Caras-Pintadas de 1992, pintou a alma com as cores da anticorrupção.
O poeta Belchior não tinha filiação religiosa, mas era um cristão.
Enxergava o Cristo no mais pobre e desempoderado.
Era misericordioso no ouvir e no olhar.
Abraçava o minorizado e o oprimido.
Acolhia o diferente.
Belchior, o seu legado é atual.
É necessário e urgente.





