Com repúdio a influenciadores, apostadores buscam canais privados de reclamação contra jogatina das bets

A combinação entre a regulamentação do setor de apostas (Lei 14.790/23) e o desgaste de campanhas publicitárias com influenciadores está mudando o comportamento do apostador brasileiro. Com o dinheiro do orçamento doméstico em jogo — cenário evidenciado por estudos da Peers Consulting divulgados pela revista “Veja”, apontando que 23% dos apostadores cortaram gastos com vestuário e 19% reduziram compras de supermercado para jogar —, o consumidor passou a trocar a busca por “bônus de boas-vindas” por exigências de segurança operacional, impulsionando a procura por canais independentes de avaliação e mediação de conflitos comerciais.

Pesquisa recente da More in Common, em parceria com o Ipsos-Ipec, divulgada pela Folha de S.Paulo, aponta que 51% dos brasileiros têm percepção negativa sobre influenciadores, artistas e atletas que promovem casas de apostas. O ceticismo é ainda mais acentuado entre os entrevistados de maior escolaridade e renda, dos quais 48% declaram confiar menos em figuras públicas ao vê-las associadas a plataformas de cassino.

A mudança no tom da opinião pública coincide com a consolidação de um setor que já atinge 29% dos brasileiros acima de 16 anos, segundo dados da pesquisa Genial/Quaest divulgados pela revista “Veja”, e movimenta cerca de R$ 37 bilhões em receita bruta (GGR), de acordo com projeções da Tendências Consultoria reportadas pelo portal BNLData.

Exigência por saque e busca por mediação

Com a restrição de incentivos de entrada pela Portaria SPA/MF nº 1.231/2024 do Ministério da Fazenda, a segurança na liquidação das apostas virou o principal vetor de retenção. Métricas de volume de busca extraídas do Ahrefs e análises do Observatório de Dados AskGamblers mostram que a procura por termos como “bets confiáveis” disparou até 311% no último ano, superando a busca por bônus e promoções de entrada.

Atenta a essa transição, a plataforma de mediação AskGamblers observa um aumento na procura de usuários que buscam verificar a reputação das empresas antes de depositar, além de registrar queixas operacionais quando enfrentam problemas na retirada de valores.

“A prioridade passou a ser a agilidade no saque e o cumprimento dos termos. Quando o cassino falha, o usuário não quer o apoio do influenciador que fez a propaganda, ele busca canais técnicos de resolução e a opinião de outros jogadores”, afirma Aline Costa, Site Manager do AskGamblers Brasil.

A plataforma, que completa 20 anos de operação agora em 2026, reúne fóruns abertos de debate, históricos de reclamações de usuários e um serviço privado, porém gratuito, de conciliação entre apostadores e operadoras licenciadas, atuando como uma camada intermediária de suporte antes que o conflito vire disputa judicial ou seja encaminhado para canais do Governo.

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