Com texto de Plínio Teodoro, do site Revista Fórum:
A Folha de S.Paulo reeditou nesta quinta-feira (1º.10), a três dias do primeiro turno das eleições presidenciais, o emblemático editorial “Uma Escolha Muito Difícil”, divulgado pelo Estadão em 7 de outubro de 2018, quando já estava definido o segundo turno entre os então candidatos Jair Bolsonaro (PL), que teve 46,03% das intenções de votos, e Fernando Haddad, que marcou 29,28% nas urnas.
Em seu editorial nesta quinta-feira, intitulado “País pagará o preço do debate eleitoral indigente”, o jornal da família Frias destaca logo abaixo que “o país está diante de uma escolha difícil”.
O argumento é idêntico ao usado pelo Estadão e mostra o alinhamento dos grandes grupos de comunicação do país com o sistema financeiro e a defesa de uma política econômica neoliberal, que privilegia os mais ricos e aumenta a desigualdade social no país.
“Qualquer pessoa minimamente bem informada sabe que o país está diante de uma escolha difícil entre um duro ajuste dos gastos públicos, que envolverá medidas potencialmente impopulares, e o risco de agravamento do estresse financeiro que já sufoca famílias, empresas e o próprio governo, podendo levar a uma recessão”, dia a Folha.
Em seguida, o jornal ataca Lula que, segundo o jornal, “além de não dar sinal de que pretende fazer uma correção de rumos, esmera-se em criar novos gastos às vésperas do pleito acirrado”.
E compara a Flávio Bolsonaro, candidato do sistema financeiro, que “promete um grande ajuste que, no mundo de fantasia das campanhas, será feito sem sacrifícios”. A crítica diz respeito justamente pelo senador esconder que os cortes no orçamento atingirão os eleitores mais pobres, como o congelamento do aumento real do salário mínimo e reajustes em benefícios sociais, como o BPC, além de avançar sobre os recursos da saúde e educação, como deseja a Faria Lima e a mídia liberal.
Em 2018, o Estadão usou exatamente o mesmo argumento para pregar a “escolha difícil” entre “o direitista Jair Bolsonaro (PSL), o truculento apologista da ditadura militar; de outro, o esquerdista Fernando Haddad (PT), o preposto de um presidiário”, tripudiando sobre a prisão sem provas de Lula pelo lavajatismo de Sergio Moro, que tirou o presidente da disputa à época.
“No caso de Bolsonaro, mesmo o mais bem informado eleitor terá dificuldade em saber quais são suas propostas para tirar o País da rota do iminente desastre fiscal”, dizia o Estadão, ressaltando que “questionado sobre o assunto durante a campanha, em entrevistas ou debates, o ex-capitão gaguejou, apelou para frases feitas, com pouco sentido, e, por fim, acabou admitindo que é absolutamente ignorante em economia, indicando o economista Paulo Guedes, seu assessor na área, para responder por ele”.
“Mesmo Paulo Guedes, porém, foi bastante vago sobre os planos de governo, que mencionam genericamente um feroz plano de privatizações e a redução do tamanho do Estado”, emendou o Estadão.
Em seguida, o jornal retomou os ataques às “propostas do campo lulopetista”, que segundo o editorial “lograram mergulhar o País numa profunda crise econômica, política e moral”, sem citar os dados econômicos e sociais, que mostram o contrário.
“Fala-se ainda em desfazer privatizações, restaurar o regime de exploração do petróleo que arruinou a Petrobrás e acabar com a reforma trabalhista, entre outras barbaridades”, bradava o Estadão, em defesa das mesmas medidas neoliberais.
Debate na Globo
Em seu editorial, a Folha ainda ataca Lula pela decisão “não participar do derradeiro debate televisivo da campanha presidencial deste ano —e, assim, de nenhum confronto aberto de ideias antes do primeiro turno”.
Lula decidiu participar do Flow Podcast no mesmo horário do debate na Globo, que barrou Renan Santos (Missão) justamente pelo candidato do MBL anunciar que atacaria Flávio Bolsonaro.
A decisão de Lula se deu, em parte, pelo histórico da emissora, que remonta à disputa contra Fernando Collor em 1989, de editar falas dos candidatos que atacam o petista para a reportagem da edição de sábado (3) do Jornal Nacional, que impossibilita qualquer explicação horas antes da abertura da votação.
A Globo ainda ataca Dilma Rousseff, que foi alvo de um golpe parlamentar em 2016, baseado na frágil justificativa econômica das “pedaladas fiscais”, após ser alvo de chantagem e manipulação do mercado financeiro.
“Para não ir muito longe na história, o grande estelionato eleitoral perpetrado por Dilma Rousseff (PT) depois da eleição de 2014, quando se tentaram reformas orçamentárias renegadas na campanha, foi um dos elementos que contribuíram decisivamente para o impeachment da ex-presidente”, diz o texto.
Ao concluir, a Folha aumenta o tom e menospreza o que classifica como “ridículo alarido criado em torno do estatuto de padroeira de Nossa Senhora Aparecida” sobre o movimento de Flávio Bolsonaro investir sobre as crenças religiosas, assim como fez o pai.


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