Na Região Nordeste, o nanoempreendedorismo feminino consolidou-se como o motor essencial de sobrevivência familiar: para 52% das mulheres da região, o negócio próprio é a principal e única fonte de renda da casa. Impulsionadas pela urgência econômica, pela falta de vagas no mercado formal e pela necessidade de cuidar da família, 73% das empreendedoras nordestinas começaram suas atividades por necessidade. Os dados são do estudo inédito “Nanoempreendedora em Foco: Identidade e Paradoxo da Autonomia”, realizado pelo Instituto Consulado da Mulher, ação social mantida pela Whirlpool Corporation (detentora das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid) , em parceria com a Engie, apoio da Be.Labs e execução da Vert.se.

Hoje, às 16h30min, a diretora-executiva do Consulado da Mulher, Adriana Carvalho (na foto), vai expor no Campus do Pici, da Universidade Federal do Ceará, as bases do estudo. O evento será no bloco 334, primeiro andar, no auditório do Condomínio de Empreendedorismo e Inovação
O estudo traz um recorte racial e demográfico marcante para o Nordeste. Na região, 80% das nanoempreendedoras declaram-se mulheres negras, índice superior à média nacional de 71% e ao próprio percentual de mulheres negras na população nordestina (68%, segundo o PNAD 2024). No âmbito familiar, 41% não contam com parceiro residente (sendo mães solo, solteiras, separadas ou viúvas) e 82% são mães, enfrentando a jornada dupla de sustentar e cuidar da casa.
O levantamento expõe também o chamado Paradoxo da Qualificação: no Nordeste, 42% das nanoempreendedoras possuem Ensino Superior completo ou pós-graduação, superando a média nacional de 40%. No entanto, a rigidez do mercado formal e a falta de infraestrutura pública, como a escassez de creches em tempo integral, forçam essas profissionais qualificadas à informalidade. Essa realidade perpetua o “Piso Pegajoso” (Sticky Floor), fenômeno invisível que desafia as trabalhadoras na base socioeconômica: 76% das empreendedoras nordestinas faturam até R$ 3.000 mensais e 83% das famílias vivem com renda total de até três salários mínimos.
Contudo, a pesquisa comprova a eficácia de intervenções focadas em capacitação: após realizarem as formações do Instituto Consulado da Mulher, 53% das participantes registraram aumento na renda pessoal, 69% tornaram-se mais independentes financeiramente e 80% conquistaram o equilíbrio entre a gestão do negócio e o cuidado com a família.
“Não podemos tratar o nanoempreendedorismo apenas como um pequeno negócio que precisa crescer, mas sim uma ferramenta de independência financeira e emocional que movimenta toda a cadeia financeira do país. Não existe fortalecimento econômico real das mulheres sem enfrentarmos a sobrecarga do trabalho doméstico e a economia do cuidado. No Nordeste, esses desafios também fazem parte da realidade e precisam ser considerados” afirma, Adriana Carvalho, Diretora Executiva do Instituto Consulado da Mulher.
A sobrecarga da economia do cuidado reflete-se na rotina diária, na qual quase 7 em cada 10 mulheres são as únicas responsáveis pelo trabalho doméstico. Cerca de 56% das empreendedoras afirmam trabalhar mais hoje no próprio negócio do que quando tinham carteira assinada, concentrando maior volume comercial na sexta-feira (80% em operação) para atender o fim de semana. Esse ritmo ininterrupto gera graves consequências à saúde: 59% enfrentam desafios de saúde mental (49% desenvolveram ansiedade, depressão ou estresse intenso após empreender) e 46% trabalham convivendo com dores crônicas ou limitações físicas, acumuladas principalmente na coluna, pescoço e pernas.
Ainda assim, 6 em cada 10 nanoempreendedoras declaram que jamais ou raramente pensam em voltar ao regime CLT, enxergando no negócio próprio a única alternativa para garantir a renda familiar com a flexibilidade necessária para conciliar as demandas do lar.
Marcela Fujiy, Fundadora da Be.Labs, explica “Quando a pesquisa direciona o olhar atento para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, regiões que batizamos como o ‘Novo Eixo’ do empreendedorismo feminino, nossa missão é provocar e desconstruir a invisibilidade histórica que ainda orienta a distribuição de grandes investimentos e recursos”.
Diante das barreiras diárias, a fé e a comunidade surgem como alicerces vitais: 88% das empreendedoras afirmam que a fé é fundamental para não desistirem de seus negócios, e 55% das nordestinas utilizam os espaços religiosos como o principal ponto comercial para divulgação e venda de produtos.
A pesquisa estruturou-se em duas fases: uma qualitativa, que ouviu 120 mulheres em grupos focais de todas as regiões do país, e uma etapa quantitativa, que contou com 371 respondentes atuantes nos programas de desenvolvimento socioeconômico das instituições parceiras.
Para conferir a pesquisa completa, clique aqui.
Sobre o Instituto Consulado da Mulher
O Consulado da Mulher, que tem como principal mantenedora a Whirlpool Corporation, dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid no Brasil, visa a impulsionar a jornada das mulheres para que ocupem os espaços que desejarem, promovendo a inclusão produtiva e fortalecendo sua autonomia financeira, educacional e emocional. Com 23 anos de trajetória, a organização valoriza a diversidade, a colaboração e a cocriação, criando um ambiente inclusivo onde cada mulher é reconhecida e apoiada. Seu compromisso é transformar sonhos em conquistas, gerando impacto socioeconômico significativo nas comunidades. Desde sua fundação, o Consulado da Mulher já impactou mais de 43 mil mulheres em todo o país.
Sobre a Whirlpool Corporation
A Whirlpool Corporation é uma das principais empresas de eletrodomésticos do mundo. Está agora impulsionando inovações significativas para atender às necessidades dos consumidores, que estão em constante evolução, por meio de seu icônico portfólio de marcas, incluindo Whirlpool, KitchenAid, JennAir, Maytag, Amana, Brastemp, Consul e InSinkErator.

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