Por Vinícius Madureira, repórter, sobre mais um bolsonarista flagrado em companhias questionáveis:
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO, na foto com Jair Bolsonaro), candidato ao Senado pelo PL em Goiás, estufa o peito para dizer que faz sua campanha sem usar um centavo do fundo eleitoral.
Porém, seu maior doador de campanha é Rodrigo Gonçalves dos Santos, um empresário denunciado pelo Ministério Público do Pará, o MPPA, por fraudar licitações e lesar os cofres públicos da cidade paraense de Canaã dos Carajás.
Santos transferiu, entre fins de agosto e início de setembro, mais de R$ 417 mil para o candidato em sete repasses, que variam de R$ 20 mil a R$ 100 mil.
Esse valor chega a 22% de todo o dinheiro arrecadado por Gayer e alçou o empresário ao posto de maior doador da sua campanha.
O problema é a ficha corrida do doador.
Santos foi denunciado em abril de 2025 pelo MPPA. Segundo a promotoria, duas empresas do conglomerado do empresário faturaram cinco contratos com a prefeitura de Canaã dos Carajás que, somados, atingem quase R$ 83 milhões – e estão sob fortes suspeitas de terem sido direcionados fraudulentamente para Santos.
O MPPA apontou que, apenas em fevereiro de 2024, Santos pagou R$ 897 mil em suborno para integrantes do esquema.
O mais irônico? Enquanto é financiado por um empresário acusado de integrar organização criminosa, Gayer atua como membro da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados.
Para piorar o enredo, a denúncia do MPPA corre o sério risco de acabar na gaveta. No último 12 de junho, uma canetada do ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça trancou o processo sob a justificativa de uma suposta violação ao princípio do promotor natural.
Contudo, o MPPA e o Ministério Público Federal estão recorrendo da decisão. Eles alertam que essa decisão pode criar um precedente perigoso, afetando investigações contra o crime organizado país afora.
Enquanto o STJ não decide se o processo volta a andar ou será definitivamente engavetado, Gayer vai para o pleito do próximo domingo confiante no poder de seu discurso antissistema.
Mas a conta não fecha: os cofres de sua campanha estão abastecidos com sete repasses de Pix feitos por um empresário denunciado por lesar os cofres públicos.

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