O sociólogo Marcos Coimbra, diretor do Instituto Vox Populi, analisou a atenção para o impacto político e social do enfrentamento do governo federal ao avanço descontrolado das apostas eletrônicas, as chamadas bets. As considerações foram feitas no programa Forças do Brasil, apresentado pelo jornalista Mário Vitor Santos na TV 247.
Para ele, a firmeza demonstrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao pautar limites severos e a proibição desse modelo predatório de apostas sintoniza diretamente com a angústia da esmagadora maioria das famílias brasileiras.
Abaixo, informações do site Brasil 247:
O freio nas bets e a rejeição ao rentismo dos cassinos digitais
Provocado por Mario Vitor Santos sobre se o cerco às plataformas de apostas e ao chamado “jogo do tigrinho” traria algum risco eleitoral às vésperas da votação, Marcos Coimbra descartou perdas e enxergou coerência republicana:
“Essa não é uma carta tirada da cartola. O presidente Lula vem amadurecendo essa postura há bastante tempo, e há uma maioria social expressiva e consolidada no país que exige a interrupção dessa jogatina. Os únicos beneficiados por essa dinâmica são uma nova casta de bilionários que não agrega absolutamente nada de produtivo ou positivo à economia real e à vida do povo”, sustentou o sociólogo (foto abaixo).

Coimbra explicou que, do ponto de vista eleitoral, a base ideológica da extrema-direita não mudará seu voto por isso, enquanto o eleitorado progressista apoia a defesa do orçamento doméstico contra a sangria financeira. “E para aquele eleitor despolitizado, que decide na última hora e sente na pele o drama do endividamento familiar provocado pelas apostas, a decisão chega como um ato de responsabilidade de quem está no comando do país governando para proteger a sociedade.”
A força da incumbência: ‘Quem governa tem a preferência na dúvida’
Ao traçar o panorama da disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, Coimbra enfatizou que a tradição política brasileira e internacional demonstra o peso decisivo da chamada “incumbência” — a força de quem ocupa a Presidência e tem realizações concretas para apresentar.
Como ilustração empírica, o diretor do Vox Populi lembrou as eleições estaduais de 2022: “De 22 governadores que disputaram a reeleição naquele pleito, 20 saíram vitoriosos. Praticamente não houve alternância onde o governante pôde concorrer. No plano federal, em 75% das vezes em que presidentes disputaram um segundo mandato na Nova República, eles venceram.”
Para o sociólogo, a tendência se repete com força redobrada diante da polarização atual. “Quando o eleitor desinteressado, com menor consumo diário de noticiário político, chega diante da urna no domingo, a inclinação natural é votar na certeza da continuidade, em quem está entregando políticas públicas e estabilidade, e não numa aventura desqualificada.”
Pesquisa espontânea, abstenção e a fragilidade dos números estimulados
Durante a entrevista, Mario Vitor Santos e Marcos Coimbra dissecaram a diferença metodológica entre os levantamentos estimulados (quando se apresenta uma lista fechada ao entrevistado) e as pesquisas espontâneas. Coimbra alertou para a cautela necessária diante da enxurrada de levantamentos de última hora, recordando os descompassos verificados em pleitos passados.
“Na reta final de 2022, os principais institutos davam na estimulada vantagens de 13 a 17 pontos para Lula sobre Bolsonaro a poucos dias da eleição. Quando as urnas abriram, a diferença real no primeiro turno foi de cinco pontos. Por isso, a pesquisa espontânea é um termômetro muito mais apurado da consolidação da vontade popular”, explicou.
Nesse quesito, com Lula sustentando um patamar consolidado em torno de 36% na sondagem espontânea — somado a um índice de alienação eleitoral (abstenções, brancos e nulos) que historicamente gira em torno de 25% a 30% —, o sociólogo avalia que a candidatura do presidente entra na semana decisiva com uma base sólida de largada, com maior potencial de atração dos votos tardios do que o adversário da extrema-direita.
Instabilidade institucional e o papel da mobilização
Marcos Coimbra não poupou críticas às perturbações externas que afetam o ambiente institucional, apontando o ativismo de figuras do Judiciário, inquéritos seletivos e a cobertura midiática excessivamente policialesca como fatores que aumentam a fadiga democrática e a desinformação do cidadão comum.
Apesar das turbulências e das tentativas de criação de fatos artificiais na reta final, a avaliação do sociólogo é de que o desenho estrutural do pleito aponta para o fortalecimento da candidatura de Lula no domingo:
“Se eu tivesse que projetar uma curva na reta final, diria que quem tem espaço real para crescer com os indecisos é Lula. O eleitorado que define o destino da eleição no sábado ou no domingo de manhã busca segurança, e a lembrança do trabalho e das entregas governamentais é o ativo mais poderoso dessa disputa”, finalizou.
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Confira a íntegra da entrevista:


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