Por João Filho, jornalista, na newsletter Caos & Paixão:
O tribunal de minúsculas causas das redes sociais condenou a influenciadora e empreendedora do setor de beleza, Natalia Beauty. Fui checar se a condenação foi justa e assinei embaixo.
Viralizou um vídeo em que uma das alunas se queixa de que a mentoria não difere em nada das outras existentes no mercado. A pergunta é bastante razoável, já que as mentorias da influenciadora podem custar valores astronômicos, com algumas ultrapassando a casa dos 50 mil reais. Mas Beauty não tolerou a crítica. Bateu o pezinho e humilhou a mentorada na frente de todos: “Não quero você no meu grupo, não quero. Eu achei sua pergunta prepotente e você eu não quero. Não gostei, é meu direito. Você não vai ser bem-vinda no meu grupo”.
O nome peculiar da ilustríssima influenciadora não me era estranho. Fui pesquisar. Natalia Beauty é aquela colunista da Folha que foi acusada de escrever suas colunas com ajuda da inteligência artificial. Foi acusada, confessou e tratou o caso como algo normal: “IA é como Mounjaro: galera usa, mas não assume”. Ela disse ainda ter ficado “chocada” com a reação indignada dos que esperam uma coluna escrita por humanos.
A Folha também não viu problema em mantê-la no seu time de colunistas. A última canetada de Beauty é essa: “Odeiam Virginia na Copa porque ela revela verdade humilhante: audiência vale mais que currículo”. No texto, a sapiência artificial de Beauty defende que as empresas de mídia coloquem influenciadores no lugar de jornalistas, porque a “audiência é a moeda mais valiosa do mundo”. A querida arremata com uma sacada infame: “Jesus Cristo não tinha estúdio, não tinha diploma de teologia, não tinha coluna na Folha, mas tinha audiência”.
Pois é, meu caro Chatgpt. Jesus não tinha coluna na Folha, mas a Natalia Beauty tem.

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