Por João Filho, do site The Intercept, na newsletter Caos & Paixão:
Flávio Bolsonaro segue desesperado para conter os danos causados pelas reportagens da Vaza Flávio. Todo dia ele tenta emplacar algum fato novo para tentar tirar o foco de si. Nesta semana, sua campanha publicou um vídeo feito por inteligência artificial em que ele aparece pilotando um helicóptero ao lado do seu pai. O candidato então pega uma metralhadora e atira contra barcos do Comando Vermelho, o CV, e Primeiro Comando da Capital, o PCC. O barco do PT foge. A postura bélica contrasta com aquele outro personagem de Flávio, o moderado, que se sentiu ameaçado com uma fala de Lula.
“Na próxima quinta-feira eu vou dar uma péssima notícia para o CV, o PCC e o PT. Me aguardem”, anunciou na postagem.
Chegou a quinta-feira e Flávio subiu no palco de um teatro na Faria Lima ao lado de dois xerifinhos do bolsonarismo: o senador Sergio Moro, do PL do Paraná, e o deputado federal Guilherme Derrite, do PP de São Paulo. O ex-juiz jura que agora vai combater o crime ao lado do filho de Jair Bolsonaro — o mesmo filho que ele tentou investigar, mas o pai não deixou.
A apresentação do plano de segurança foi uma bobajada à altura dos personagens. Trata-se de um amontoado de promessas não cumpridas por Jair Bolsonaro somadas a propostas velhas e demagógicas ao gosto do eleitorado reacionário. Flávio falou em redução da maioridade penal, endurecimento do cumprimento de pena, castração química para estupradores, além de platitudes vazias como: “terrorista vai ser tratado como terrorista”. Parecia um apresentador do “Brasil Urgente”.
Nayib Bukele, o presidente facínora que fez um pacto secreto com quadrilhas criminosas de El Salvador, foi tratado pelo pré-candidato bolsonarista como uma inspiração. Pelo vasto histórico de Flávio e sua família, é preciso ver se não são eles a inspiração de Bukele.
Mas nada pode ser mais simbólico do que ver Flávio, Moro e Derrite vestidos de camisas pretas. A semiótica grita. Bolsonaristas e lavajatista de camisas negras em cima de um palco na Faria Lima. É um resumo do que foram os últimos dez anos da direita brasileira.
Por onde andará Mário Frias?
O deputado, produtor e ator de “Dark Horse”, Mário Frias, do PL do Rio de Janeiro, continua sumido. Hoje completa um mês desde que ele prometeu divulgar a prestação de contas do filme autobiográfico do criminoso Jair Bolsonaro. Ele garantiu também que voltaria ao Brasil, mas até agora não há sinal dele. O deputado viajou para os EUA e para o Bahrein sem avisar a Câmara dos Deputados e já faz mais de um mês que ele não aparece para pegar no batente.
Aliás, pegar no batente não parece ser o forte do deputado. Segundo uma apuração da Folha de S. Paulo, Frias estava no estúdio gravando o filme “Dark Horse” em São Paulo nos mesmos horários em que o sistema da Câmara dos Deputados registrava sua presença nas sessões. Enquanto as sessões rolavam em Brasília, o deputado estava no set de filmagem em São Paulo, atuando como o heroico médico que salvou Bolsonaro da morte depois da facada.
Isso me lembrou até de Flávio Bolsonaro que, com apenas 19 anos, estreou na vida pública acumulando três ocupações em duas cidades diferentes: faculdade presencial de Direito e estágio voluntário duas vezes por semana no Rio de Janeiro, e um cargo de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados, em Brasília. São fenômenos que só o roteirista de “Dark Horse” poderia explicar.


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