Do jornalista João Filho, na newsletter Caos & Paixão:
Durante a comemoração da vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, a fauna bolsonarista ficou ainda mais à vontade para externalizar seus instintos mais primitivos.
O economista Rodrigo Constantino foi um dos que colocaram para fora o seu desprezo pelo povo brasileiro. Radicado na Flórida há mais de dez anos, o patriota se revoltou contra o povo baiano pela reeleição do governador petista:
“A Bahia é o câncer do Brasil. Estive lá algumas vezes a trabalho e a lazer. Salvador é um lixo! Eu fui mais para o interior fazer a feira literária e fiquei chocado. Segunda-feira, 11h30, um bando de gente nos barzinhos com violão e cerveja. Ninguém quer trabalhar”, disse.
O triunfo de Flávio nas urnas legitima a explicitação do preconceito de Constantino.
Isso é um aperitivo do estrago que mais um governo Bolsonaro causará ao país. Com um líder autoritário legitimado pelas urnas, os guardinhas da esquina se sentirão ainda mais empoderados para despejar suas barbaridades.
Lucas Pavanatto e a bancada da guerra cultural
Sem grandes ideias e projetos para o país, Lucas Pavanatto se tornou o deputado federal mais votado de São Paulo. É mais uma aberração que foi parida pelo MBL e criada pelo bolsonarismo.
Com 28 anos, mas com aparência e postura de 16, o novo deputado venceu nas urnas falando sobre transexuais em banheiros e outras obsessões moralistas como a criminalização do aborto. É uma versão teen da Damares, com sapatênis e cadeira gamer.
Quando o assunto é economia, educação e segurança, Pavanatto não tem nada a apresentar além da repetição dos chavões moralistas. A cabeça do novo deputado é um deserto de ideias e sua estrondosa votação reflete bem o espírito dos nossos tempos. É um rapaz obcecado, que só enxerga a política pelo viés da guerra cultural.
Empolgado pelo sucesso obtido nas urnas, Pavanatto, tal qual Constantino, soltou a franga reacionária e deixou claro qual será a prioridade do seu mandato: combater a esquerda e sua “ideologia hegemônica”. Depois de exaltar a força política conquistada pelo seu grupo, o deputado não teve meias palavras:
“Nós realmente somos uma ameaça para vocês. Nós temos uma bancada forte para enfrentar a ideologia hegemônica de vocês. Vocês são a minoria e, como minoria, a gente vai colocar vocês no seu devido lugar”.
Conhecendo o ideal podre que move esse jovem e como ele sempre militou contra todas as políticas afirmativas, a ameaça é, sim, direcionada às minorias e seus representantes. Eles estão babando de ódio como nunca.
Com Lula eleito, a democracia seguirá ameaçada por um parlamento majoritariamente golpista. Com Flávio, ela será sequestrada e destruída. Não faltarão Pavanattos e Constantinos para agitar os pompons.

Fique por dentro do mundo financeiro das notícias e opiniões que rolam no Ceará, Nordeste e Brasil.