Por Roberto Maciel, jornalista:
Estamos na era da pós-verdade. Atento a isso, resolvi embarcar na onda de ficção. Tudo o que se lerá daqui para baixo é fruto das vozes na minha cabeça. Quem quiser que se vire para questionar:
Certo dia, Carlos Bolsonaro acordou, tirou a fronha do travesseiro da boca e falou de um sonho que teve na noite intensa:
– E se Neymar for para a Copa, o Brasil ganhar e ele for considerado o líder da vitória?
Ficou excitado. A ideia pareceu-lhe esfuziante. Neymar Jr. é aliado fiel e empolgado de tudo o que for da extrema-direita e, mais ainda, de tudo que der dinheiro. É um Luciano Huck da bola, um Gustavo Lima sem microfone. Pegou o telefone e ligou para o irmão foragido nos Estados Unidos:
-Vagão, escuta essa…
E mandou a ideia. Dudu Bananinha (o carinhoso apelido de “Vagão” é um jeito delicado de atenuar a palavra “Vagabundão”, que os bolsonaros aplicaram na testa do zero-três na adolescência) achou sensacional.
Empolgadíssimo, telefonou para Flávio:
-Vamos rachar a ideia entre nós. Melhor do que um azarão. Neymar campeão vai nos ajudar a ganhar a eleição do… como é que o Dallagnol chama o Lula?
-Nine, respondeu Flávio resfolegando enquanto ensaiava passos de dança. Vamos já avisar ao pessoal da CBF, que está na nossa mão. Eles cuidam lá de dar um jeito no véio italiano.
A aprovação do pai, enjaulado e com tornozeleira eletrônica, foi imediata. Até Jair Renan, fraco das ideias, se manifestou, depois de pensar por 10 minutos:
-Ixpetaculá!
Mas, como tudo o que a família faz é trapalhada, não tinha porque ser diferente. Neymar Jr. não é mais essas coisas todas faz uns 10 anos. Não rende nada em campo, não passa de um garoto-propaganda de cassinos online, de um ex-atleta em atividade, uma sombra que suga as últimas gotas da celebridade que foi. Serve, se muito, para provocar adversários com gestos rasteiros e tentar fazer briga.
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Para piorar, Lula pareceu ter descoberto a mutreta:
-Neymar é o primeiro convocado home office do mundo, definiu entre risos o presidente da República numa brincadeira com um menino num ato público.
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Bem que Lula avisou.


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