
Por João Filho, jornalista do The Intercept, na newsletter Caos & Paixão:
O vereador paulistano Rubinho Nunes, do União Brasil de São Paulo, é um daqueles reacionários que completam o bingo do bolsonarismo. Defende a família tradicional, dá chilique quando se fala em aborto, se revolta com mulheres trans em banheiros femininos e manda qualquer um que não esteja à sua direita pra Cuba. Rubinho é cria do MBL e, como todo bom ex-MBL, virou bolsonarista ferrenho.
(Nota: Rubinho Nunes é cria do MBL, ajuntamento de extrema-direita que, nutrido pelo então deputado Eduardo Cunha, cassado e preso por roubo de dinheiro público, fez campanha pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff. É chamado jocosamente – ou não – de “Burrinho Nunes” por adversários e até aliados. Ele ilustra uma ala violenta do bolsonarismo, tendo eleito o padre Júlio Lancelotti e o trabalho social que realiza como “inimigos a serem destruídos” – nessa estratégia, espalha fake news, promove atos agressivos e instrumentaliza a Câmara Municipal paulistana).
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Nesta semana, o vereador paulistano largou o batente na Câmara Municipal para ir ao centro de São Paulo provocar alunos e funcionários da USP, Unesp e Unicamp, que faziam um ato em defesa de melhorias nas universidades públicas.
Acompanhado por sua equipe, o vereador lançou mão da velha tática do MBL: ligar a câmera, fingir iniciar uma entrevista, provocar, apanhar e sair como vítima. Os ânimos se exaltaram e o vereador, do alto dos seus 34 anos, passou a xingar os universitários: “Vai estudar, seu vagabundo, seu bosta, eu pago tua faculdade”. Acabou no hospital com o nariz quebrado. Mais tarde, foi às redes sociais cumprir o papel de vítima e colher os dividendos eleitorais do seu ato. Com fala mansa e um ar de decepcionado com a humanidade, disse em vídeo: “A partir de que momento a selvageria, a agressão, se tornou algo permitido nesse país?”.
O bolsonarista é contra a agressão, mas só quando ele é a vítima. Explico. No início do ano, quando o seu correligionário Douglas Garcia apareceu em foto dando um soco em manifestante, a reação foi bem diferente.
Rubinho exaltou a agressão e tratou o agressor como um autor de obra de arte:
Vejam só como são as coisas. Quatro meses depois, quem virou obra de arte foi o nobre vereador, que foi parar no hospital com um nariz surrealista de Salvador Dali. Karma is a bitch.

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