Pesquisas eleitorais, qual a utilidade? “Leituras não são oráculos”

O bordado da gentileza"

Por Tuty Osório:

A pouco mais de dois meses do primeiro turno da eleição, a 4 de outubro, proliferam prognósticos e dispersões. Uns afirmando que a eleição presidencial se decidirá no primeiro turno, sustentando a certeza de que as pesquisas indicam esse cenário. Outros, desviando a atenção com divulgações mistificadoras referentes a identificações com esquerda, direita, conservadorismo, progressismo. Ou subindo pra manchete as tendências de segundo turno, quando todos os cenários devem ser considerados, inclusive a possibilidade de solução no primeiro turno.

O fato é que, por mais que tenha havido queda de uma candidatura específica, ampliando a diferença do primeiro lugar, relativamente ao segundo; e os demais permaneçam sem crescimentos significativos, não podemos afirmar nada neste momento. Apenas observar. Para os militantes, é obviamente recomendável que lutem pelos seus objetivos, sempre. O eleitor que forma a sua convicção a cada pleito, – a maioria, decerto, – tende a decidir mais perto do momento do voto, sendo que os fatores que hoje o influenciam podem permanecer, alterar-se, somarem-se a outros.

Certeza há que a decisão dá-se em função do que impacta positivamente, concretamente, as suas vidas. Impacto sem subterfúgios, com garantia de consistência e longevidade em assuntos do cotidiano como alimentação, mobilidade, saúde, educação, acesso a trabalho remunerado, direitos sociais, lazer, segurança, acesso a água, a energia, a esgoto, consequências da crise climática materializadas em enchentes e secas.

As perguntas adequadas deveriam associar cada candidato à solução mais veloz para cada uma dessas questões. Metodologias quantitativas e qualitativas, combinadas, podem dar conta de uma investigação esclarecedora.

Há que aprender que a alteração nos percentuais de intenção de voto está relacionada a sentimentos com significado relevante recente, como soberania, expansão dos dias de descanso no mundo do trabalho, protagonismo feminino consciente. A hora da verdade não ficará somente nesses conceitos em disputa. Será determinada pelo bem estar, escasso ou abundante, relacionado ao tal cotidiano, que é quem nos comanda o acordar, os sonhos, os inícios e os finais dos dias.

Números não são existências. Subjetividades não são objetivas. Há que ler as diversas linguagens, buscando com prudência o esboço que se apresenta menos turvo.

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*Tuty Osório é especialista em pesquisa qualitativa, escritora, produtora cultural, publicitária e jornalista. É, também, espectadora atenta dos cenários que se desenham, continuamente em modificação.

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