Por Ricardo Kelmer, escritor:
O bolsonarismo conseguiu unir direita e esquerda na luta em defesa da democracia. É uma ótima notícia. A explicação é simples: caso Flávio Bolsonaro seja eleito, a família Bolsonaro, conhecida por sua forte ligação com bandidos e milícias, terá o presidente da República e comandará o Congresso, com poder suficiente para aprovar leis, barrar investigações, mandar no STF e até alterar a Constituição.
Com tanto poder concentrado, a tendência será a fragilização das instituições democráticas e a implantação de um regime autoritário, como a História nos ensina.
Para evitar esse risco, eleitores mais esclarecidos de direita preferem votar em Lula, até porque, se for eleito, ele não poderá concorrer novamente, o que possibilita à direita tentar uma candidatura competitiva em 2030. Lula terá muita dificuldade para governar, sim, mas ao menos servirá de contrapeso ao poder do bolsonarismo-trumpismo.
Outra questão que pesa na preferência dos eleitores de direita por Lula é o risco do fim do Pix, um sonho de Donald Trump, a quem se curva a família Bolsonaro. Isso seria um golpe mortal na soberania nacional e um imenso prejuízo para empresários, pequenos empreendedores e também os consumidores, que voltariam a ficar reféns dos cartões e suas taxas.
Mulheres de direita também estão muito preocupadas com a vitória de Flávio Bolsonaro. Elas sabem que entre as pautas da extrema-direita está a proibição do voto feminino e outras conquistas das mulheres, propostas defendidas até por mulheres do PL.
Moral da história: contra um inimigo comum que a todos ameaça, a melhor estratégia é unir forças contra ele.


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