Por Ricardo Alcântara, escritor e publicitário:Na literatura psiquiátrica, existe uma figura denominada “Mitômano”. A Mitomania é uma compulsão em que o indivíduo sente um desejo incontrolável de mentir.
Se você lembrou de Ciro Gomes ao me ouvir falar sobre mitomania, não está errado. E, no caso dele, a coisa vem de longe.
Já em 2002, quando disputou sua primeira campanha para presidente, Ciro andava espalhando país afora que havia estudado por toda a vida em escolas públicas.
Foi quando um de seus adversários, o tucano José Serra, mandou apurar o assunto e o desmascarou: na verdade, Ciro fez todo o ensino médio, que à época se chamava “curso científico”, no Colégio Cearense, uma prestigiada escola privada, de elite.
Ao dizer sempre ter estudado em escola pública, queria vender aos brasileiros a história de um jovem esforçado, de origem humilde, que venceu, apesar das adversidades. Mas não colou. O caso foi amplamente noticiado e pegou muito mal para ele.
De lá pra cá, lá se foram 24 anos e, pelo que se observa, Ciro não mudou: já agora, há poucos dias, tentando tirar impacto positivo da construção do Hospital da UECE, inaugurado no governo de Elmano de Freitas, disse que o mesmo funcionava com apenas 320 leitos.
Ora, qualquer repórter pode ir lá e verificar: todos os 835 leitos do hospital, uma obra importante, estão recebendo pacientes!
Como essa, outras declarações dele já foram desmentidas mesmo com poucos dias de campanha. Foi o caso de uma entrevista em que chutou um índice de 70% de evasão escolar no ensino médio durante o governo de Elmano quando, somente no ano passado, ao contrário do quadro trágico que Ciro insinua, a redução no problema foi da ordem cerca de 7%.
Mentir, no meio político, não é algo tão raro assim, mas ser desmentido todo dia corrói a credibilidade de qualquer candidato. Quem demonstra tão pouco zelo com a verdade não conquista a confiança dos eleitores.
Se é verdade que a mentira tem pernas curtas, com elas Ciro não tem conseguido ir muito longe nas eleições que disputou nos últimos 24 anos. Mas, certamente, não é esta a última vez que se comenta este assunto na campanha eleitoral de 2026.
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Nota do editor
A literatura expõe obras e personagens referenciais sobre a mentira. Pinóquio é, no contexto mundial, o mais conhecido; um boneco que, no livro do italiano Carlo Collodi (1826-1890), transforma a mentira em estratégia de vida – a versão dos estúdios Disney impulsionou decisivamente o personagem. No Brasil, a mentira se destaca como elemento e alicerce da trama de Dom Casmurro, de Machado de Assis (1839-1908). Ambos os livros são produtos da ficção.
Já fora da fantasia, o caso do paranaense Marcelo Nascimento da Rocha, o “Marcelo VIPs”, é um dos mais conhecidos no País. O personagem se especializou em golpes nos quais se passava por outras pessoas, em geral milionários. Foi preso e condenado e morreu em 2025 (é o que se diz). Um livro (“Vips”, da jornalista Mariana Caltabiano) e um filme (com o mesmo título, realizado em 2011, com direção de Toniko Mello e estrelado por Wagner Moura) contam delitos de Marcelo.


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