Universidade desenvolve projeto de extensão em alfabetização e letramento com acesso gratuito

Escrever o próprio nome. Ler o destino de um ônibus. Entender mensagem no celular, placa na rua, receita ou um documento. Atos aparentemente simples fazem parte de uma autonomia que nem todos tiveram a oportunidade de conquistar. É para ajudar a mudar histórias como essas que a Estácio Brasília oferece gratuitamente o Projeto de Extensão Alfabetização e Letramento, destinado a pessoas com mais de 18 anos que não foram alfabetizadas.
As aulas começaram em 19 de agosto, serão realizadas duas noites por semana e o programa tem duração de um ano. Mais do que ensinar letras, palavras e frases, a proposta é fazer da leitura e da escrita instrumentos de independência, cidadania e participação na vida cotidiana.
“Alfabetizar um adulto vai muito além de ensinar a ler e escrever: significa oferecer autonomia, independência e segurança. O aprendizado transforma situações cotidianas e também a forma como essa pessoa se enxerga. É um instrumento de cidadania e participação social”, avalia Kézia Balena (na foto acima, com participantes do projeto), coordenadora do Programa de Alfabetização e Letramento de Adultos da Estácio Brasília.
E é justamente aí que se encontra a diferença entre alfabetizar e letrar. A alfabetização está relacionada à aprendizagem do sistema de escrita e ao desenvolvimento das habilidades necessárias para ler e escrever. O letramento vai além: significa conseguir utilizar a leitura e a escrita nas práticas sociais, compreendendo textos, informações e situações presentes no dia a dia. São processos diferentes, mas que caminham juntos.
Para um adulto que passou boa parte da vida sem dominar a leitura e a escrita, esse aprendizado pode significar muito mais do que decifrar palavras. Pode ser assinar sem depender de outra pessoa, acompanhar melhor a vida escolar dos filhos ou netos, compreender uma orientação de saúde, preencher um formulário, utilizar serviços digitais ou simplesmente escolher e ler algo porque teve vontade.
O projeto parte também do reconhecimento de que um adulto que chega a uma sala de alfabetização não chega sem conhecimento. Ao contrário. Chega carregando uma vida inteira de experiências, estratégias, memória, trabalho, relações e saberes construídos fora dos livros. O desafio da educação é encontrar esse repertório e acrescentar a ele uma ferramenta que, por diferentes circunstâncias, não pôde ser adquirida antes.
“Não considero mais fácil nem mais difícil, mas diferente. O adulto traz uma grande bagagem de vida, mas muitas vezes também carrega insegurança e medo de errar. Alfabetizá-lo exige sensibilidade, paciência e respeito ao seu tempo e às suas experiências”, explica Kézia.
Autoestima
Ao desenvolver a alfabetização associada ao letramento, a iniciativa busca fortalecer não apenas a aprendizagem, mas também a autoestima e a autonomia dos participantes, ampliando possibilidades para que cada aluno circule pela sociedade com mais independência.
Para quem ensina, acompanhar essas conquistas também tem um significado especial. “É uma experiência muito especial e emocionante, porque cada aluno chega com sua história, dificuldades e sonhos. Pequenas conquistas podem representar vitórias enormes para essas pessoas. Para o professor, participar desse processo é muito gratificante”, afirma a coordenadora.

Compartilhe o artigo:

ANÚNCIOS

Edit Template

Sobre

Fique por dentro do mundo financeiro das notícias e opiniões que rolam no Ceará, Nordeste e Brasil.

Contato

contato@portalinvestne.com.br

Portal InvestNE. Todos os direitos reservados © 2024 Criado por Agência Cientz