Tabagismo tem índices maiores entre a população LGBTQIA+

O tabagismo mata, por ano, 8 milhões de pessoas em todo o mundo e cerca de 170 mil no Brasil. Mas afeta de forma desigual a população do país. Uma pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mostrou que o uso de cigarros e dispositivos eletrônicos para fumar é 76% maior entre homossexuais e bissexuais do que entre heterossexuais. O levantamento analisou dados de mais de 90 mil pessoas, coletados em domicílios de todo o país.

Quando consideramos apenas o vaping, a disparidade é ainda maior. O uso dos chamados cigarros eletrônicos é quase seis vezes maior entre homossexuais e bissexuais do que entre heterossexuais. A coordenadora da pesquisa aponta algumas razões para esse cenário.
“90% das pessoas começam a fumar na adolescência, antes dos 19 anos. Então é uma fase de extrema vulnerabilidade, que essa vulnerabilidade típica ou esperada da adolescência, se somam àquelas referentes ao fato de ser LGBT+. Então, o preconceito, discriminação, violência, né, de toda ordem, inclusive física. E aí acaba também abrindo, eh, uma vulnerabilidade maior também para o uso de outras drogas, para com quadros de depressão e ansiedade”, explica Entrevista: Aline Mesquita, coordenação do Inca.

A experiência da Camila, mulher cis e lésbica, é um reflexo da realidade que traz a pesquisa. Ela começou a fumar ainda na adolescência.

“Comecei a fumar muito cedo. Muito nesse lugar também de encontrar ali, nas redes de afeto, alguma, alguma fuga, alguma coisa nesse processo de entender a sexualidade também. Então, de alguma forma, aquele cigarro, ele dava algum suporte emocional. Mas aí, comecei a fumar com mais frequência depois dos 20 anos de idade”, relata Camila Doudement, que é advogada e ativista da causa LGBTQIA+.

Desde que foi diagnosticada com tuberculose há 6 meses, ela iniciou o processo de deixar de fumar. “Naquele momento em que, basicamente, meu corpo disse: ”não dá para você fumar mais”, né? E aí, eu tive que parar de fumar e, em consequência da melhora com o tratamento, você vai melhorando e você vai percebendo: “poxa, é muito bom ficar sem fumar”, conta ela.

“É tão importante incluir essa população em pesquisas, aprofundar as pesquisas com e sobre, né? Não só sobre, mas também trazer a população LGBT para desenvolver pesquisas sobre o tema, para que a gente consiga trazer mais respostas e um olhar mais apurado sobre essa população e as questões de tabagismo mesmo nessa população”, defende a pesquisadora.

Vale lembrar 

O Sistema Único de Saúde no Brasil oferece tratamento de graça para quem quer parar de fumar, seja cigarro normal ou eletrônico. Para começar o atendimento, basta procurar um posto de saúde próximo de casa e buscar o tratamento.

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