Tire o dark horse da chuva e desmonte da ideia de que o Democrata é de esquerda; o partido não defende os seus direitos, mas só os interesses dos EUA

Por Roberto Maciel, jornalista, editor do portal InvestNE:

Desde a Segunda Guerra Mundial, foram esses os presidentes dos Estados Unidos pertencentes ao Partido Democrata:

Franklin D. Roosevelt (1933–45), Harry S. Truman (1945–53), John F. Kennedy (1961–63), Lyndon B. Johnson (1963–69), Jimmy Carter (1977–81), Bill Clinton (1993–2001), Barack Obama (2009–17) e Joe Biden (2021-25).

Reflita seriamente: algum desses teve tendência à esquerda ou queda pelos progressistas, ainda que seja só isso, que mereça atenção? Algum deixou por menos a prestação de contas às mais arrogantes, brutais e gananciosas corporações que o mundo já conheceu? Algum deixou de fazer guerra, atendendo a famílias aflitas de soldados (armados, amados ou não) ou a quem diz que a aventura bélica é mais nociva à economia e às vidas do que a inflação? Algum deixou de se submeter a pressões dos senhores das armas?

Se você acha que os democratas, que tomaram dos republicanos de Donald Trump (acima) o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos, são “gente fina pra caramba”, lamento informar, mas não são não.

Tire o dark horse da chuva…

Vamos para o caso específico de Lyndon Johnson (foto ao lado) – sucessor de John Kennedy, assassinado em 1963, era ele o presidente dos EUA quando militares e empresários brasileiros deram um golpe de Estado. Era 1964. Os Estados Unidos, sob o gestão de um democrata, apoiaram integralmente os criminosos golpistas do Brasil. Mais do que isso, ensinaram agentes da segurança a prender, torturar e matar opositores. Em 1968, quando o AI-5 foi decretado pelos gorilas de plantão, permitindo que saíssem dos bueiros com mais desenvoltura assassinos como Brilhante Ustra e Sérgio Fleury, Johnson não fez nada que contivesse a carnificina.

Até hoje, aliás, os brasileiros pagam o preço de tanta cumplicidade. Jair Bolsonaro é, certamente, a cara mais destacada desse custo.

E Harry Trumam? Foi no governo dele que vicejou a guerra fria, dividindo o planeta em mundos distintos e, pior, inimigos.

E o próprio Kennedy (ao lado), que ameaçou a paz mundial, criando um ambiente de violência e desconfiança com a crise dos mísseis – inclusive abrindo a fase de exclusão e perseguição que o mundo não-esclarecido ainda dedica a Cuba, pequenino país caribenho que tem um povo inteligente, livre e orgulhoso que não se submete à fome capitalista dos EUA?

E todos os que patrocinaram o genocídio no Oriente Médio? E que fazem rapapés aos facínoras de Israel?

E Obama, que invadiu o Iraque, matou o governante e por isso ficou? E que depois, meio que bajulando, chamou Lula de “o cara”.


Não se iludam, leitora e leitor queridos.

Assim como os republicanos, os democratas estadunidenses não estão nem estarão a serviço da democracia alheia, da igualdade de direitos entre nações, da multilateralidade, do respeito aos fundamentos humanos. Não estarão nem aí, como nunca estiveram.

Não ache que porque o Partido Democrata venceu as eleições de meio de mandato do republicano Donald Trump que pessoas como Elon Musk, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e Marco Rubio vão sair amanhã ou em 2027 da sombra da Casa Branca.

Não ache, por fim, que os democratas são “a esquerda” dos EUA.

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