Vice dos sonhos do fascismo: de Ciro Nogueira a Júlia Zanatta – e ainda não é o fundo do poço

Por João Filho, jornalista, na newsletter Caos & Paixão:

A Vaza Flávio realmente deixou Flávio Bolsonaro zonzo. Logo após a publicação das primeiras reportagens, ele decidiu abandonar o personagem moderado e voltou a ser um Bolsonaro raiz. Não deu muito certo. De lá prá cá o candidato seguiu em queda livre nas pesquisas. Agora, para tentar retomar o perfil moderado, Flávio está dizendo que quer colocar uma mulher como vice da sua chapa.

Iniciou-se então uma campanha pela escolha da deputada da tiara florida, Júlia Zanatta. Eduardo Bolsonaro foi quem sugeriu o nome da catarinense. Uma das mais radicais deputadas da extrema direita está cotada para ser a vice de uma chapa que se pretende vender como moderada. É uma lógica meio primitiva, muito própria de quem foi criado por Jair Bolsonaro.

Nesta semana, Zanatta deixou claro o tamanho do seu despreparo. A deputada foi a um podcast e, sem ter a menor ideia do que estava falando, criticou “as políticas econômicas ruins” do governo, “que geram inflação”. Um dos apresentadores perguntou: “quanto está a inflação no Brasil hoje?”. Imediatamente as flores da tiara murcharam e Zanatta começou a gaguejar. “Está estratosférica. Eu não sei bem quanto. Está bem ruim.”, disse enquanto procurava a informação no Google. “Eu vi ontem ainda. Sou péssima com números”. 

Zanatta é deputada federal, mas não sabe o básico. Ela entende de armas, de gritaria e lacração na Câmara, mas não sabe qual é a inflação do seu país. É ignorante na economia, e conservadora radical nos costumes. Essa pessoa está sendo cogitada para dar um verniz de moderação à candidatura. É tudo tão absurdo que parece o roteiro de “Dark Horse”. 

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