A anti-curadoria do João Filho: “Fraude nas eleições”

No segundo turno das eleições de 2022, o Ministério da Justiça e a Polícia Rodoviária Federal do governo Jair Bolsonaro agiram em conjunto para tentar impedir que eleitores de Lula fossem às urnas. Espalharam uma série de blitz e bloqueios nas cidades em que o petista teve votação expressiva no primeiro turno. Não adiantou.

As forças golpistas voltaram a entrar em cena no segundo turno desta última eleição. Prefeitos bolsonaristas de várias cidades em que Lula teria mais votos promoveram um boicote na circulação de ônibus.

Em Salvador e São Paulo, por exemplo, grande parte das frotas ficou parada, enquanto eleitores esperavam no ponto para poder votar. A capital baiana foi a que mais deu votos para Lula, enquanto a paulista foi a terceira. O boicote se repetiu em cidades de estados onde há muitos votos lulistas como Piauí, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro, Paraíba e Pará. Mas, mais uma vez, o golpismo tomou uma surra ainda mais vigorosa nas urnas.

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É urgente que se enquadre os golpistas com rigor. Todo esse tumulto não impediu a virada histórica de Lula, mas os responsáveis não podem passar impunes. Ou a democracia se blinda de atos golpistas, ou os seus limites continuarão a ser testados. Não é possível normalizar esse tipo de evento a cada quatro anos. Esta, sim, foi a única fraude destas eleições.

‘O que a Folha pensa?’

Os donos da Folha de S. Paulo não temem o ridículo. Eles passaram os últimos meses escrevendo editoriais críticos às candidaturas de Lula e Flávio, equalizando os problemas de cada uma como se fossem da mesma natureza.

Há um mês, um editorial dizia que o país estava “diante de uma escolha difícil entre um duro ajuste dos gastos públicos e o risco de agravamento do estresse financeiro”. É como se estivéssemos em um mero dilema econômico. Assim como foi para os donos do Estadão em 2018, a escolha entre um democrata e um golpista foi muito difícil.

Flávio nunca foi chamado de golpista pela Folha durante essas eleições. Nem depois de ter feito uma promessa francamente golpista. O candidato prometeu anistiar seu pai e usar a força contra o STF se preciso fosse.

Agora, com a patacoada golpista que Flávio armou depois da eleição, a bonita da Folha apareceu indignada em um editorial intitulado “Golpismo nunca mais”. Ora, ora, quer dizer que os donos do jornal descobriram agora que o golpista é golpista e pratica golpismo?

Informar ao eleitorado que estávamos diante de um candidato golpista era nada mais que uma obrigação jornalística, mas essa fadiga os donos da Folha preferiram evitar.

Bom, ninguém pode se dizer surpreso, já que este mesmo jornal já chamou a ditadura militar de “ditabranda”.

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